Thursday, May 31, 2007

Gosto Mesmo É de Gostar


Por Fernanda Luiza Borges


Gosto de gostar
Gosto de mim
Gosto de você
Gosto de gostar de mim
Também gosto de quem gosta de si
Gosto mais de quem gosta de mim
Gosto de paixão e de amor
Gosto de óleo de maracujá com mel
Gosto de loção de chá verde
Gosto de perfume doce
Nossa como eu gosto de doce
Gosto do salgado
Acho mesmo que gosto de tudo
Gosto de pintar
Gosto de escrever
Gosto de ler
Gosto de falar pouco
Claro gosto tanto de escutar
Gosto de quem fala só para mim
Gosto de Aline
Gosto dos amigos
Gosto de ter quem gostar
Gosto de Jobim
Gosto do ilustre Ventura
Gosto do jeito que escreve
Gosto de Blues e MPB
Gosto afinal de música
Gosto de andar de bicicleta
Gosto de cinema
Gosto de filme em casa
Gosto de casa
Gosto ainda de não ter tudo
Vai ser gostoso quando eu conseguir
Gostoso mesmo é ser mulher
Gosto de saber que tenho muito a escrever de mim

Wednesday, May 30, 2007

Saudades da poesia puritana (ou nem tão puritana assim) concebida em véu suave e lúdico de vertentes quase profanas, em dia qualquer ou em dia atroz:

Quero teu corpo no meu corpo
Nós dois juntos num mundo louco
Teu olho no meu olho
Nós dois juntos num sorriso bobo
Sinto nas palavras um ar de tentação
Sinto nos seus gestos um ar de sedução
Quero beijar a tua boca
Quero você deitada no chão
Quero tirar a tua roupa
Quero sentir pura sensação
Quero seguir a minha vontade
Quero dar asas a minha imaginação
Quero que tudo vire realidade
Pois viver de sonho não é a solução.




Tuesday, May 22, 2007

Por Clarice Lispector

"Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra
vista que não as janelas ao redor.
E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma a acender cedo a luz.
E à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar o café correndo porque está atrasado.
A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá para almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que
pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma à poluição.
Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
À luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias de água potável.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer.
Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui,
um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo.
Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se o trabalho está duro a gente se consola pensando no fim de semana.
E se com a pessoa que a gente ama, à noite ou no fim de semana não há muito o que fazer,a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta e se gasta de tanto se acostumar, e se perde de si mesma".

"De tanto ver triunfarem as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto"

Rui Barbosa (1849 - 1923)

Thursday, May 17, 2007

Há muito tempo me afastei de amigos de infância, mesmo que estes morem à apenas duas quadras de distância a lacuna entre nós é grande.
Observando o atual presente e olhando para trás, vi que só o tempo proporciona à vida o caminho que melhor cabe a cada um de nós. Só o tempo sabe o que faz.
Hoje observo antigos amigos, com os quais confábulava na infância, parados no tempo ou pior, que abdicaram de si mesmos ou se esqueceram no tempo permitindo sujeitar-se a forma de ser do meio onde vivem. Limitados por sua própria forma de não ser! Como li em um livro de história antiga: -Nasça aqui, more aqui, morra aqui!
Nascer, crescer e viver em uma região periférica da cidade não institui necessáriamente que devamos ser como os cohabitantes. Não precisamos freqüentar os mesmo locais, termos os mesmos gostos, sermos iguais! No entanto parece-me que nos meios onde vivem pessoas de meios diferentes, com uma formação um pouco diferenciada, as pessoas parecem ter dentro de si maneiras próprias e individuais de ser e pensar, e não simplesmente sujeitando-se a tudo (se é que isto é visto como sujeitar por elas, e não como fazer o correto (o que todos fazem)).
Não consigo conceber no meu intímo, como as pessoas acomodam-se com o simples fato de viver (quando não têm consciência do ser), ou mesmo sobreviver (quando não tem consciência da situação real pela qual passam) diante ao que se passa em volta delas.
Talvez seja por isto que este país prematuro de escravos alforriados não desenvolva!

Deveras isto está implicíto nos níveis sociais. No entando o que mais me encomoda é a pertinente pergunta: Devo ser como o meio institui, ou devo lutar (e não é uma luta?(não contra o meio, mais ao que ele institui)) para tentar mudar o que é da minha natureza?

Paz!

Monday, May 14, 2007

Depois de mais uma longa e ardua tentativa de tentar assistir TV, cheguei a conclusão que TV não serve pra mim.

Vai entender por que tanta gente gosta?
Eu em!

Sunday, May 13, 2007

Absolutamente odeio ter que aceitar certos fatos, certas certezas.
E principalmente odeio sentir-me limitado por uma grandeza que consigo conceber: Distância.
Escravo de um método, de um sistema. Um coveiro que circula todas as noite em volta da sua futura tumba.

3weeks in the darkness, counting.

Wednesday, May 09, 2007

8 de maio, Terça-feira.
O frio chegou repentido, vento balbuciante oscilando as janelas, clima tenro e pesado!
Com ele vieram a tona lembranças intensas dos outonos passados. Mil vidas sentidas em doses pequenas e lascivas, pequenas lacunas de tempo aureo que fazem meus 21 anos, parecerem mais de 1000 anos. Cada segundo de lembrança remetendo a um passado de ímpetas alvoradas vorazes, nem tão longinquos como gostaria que fosse, mas ainda assim ali.
Tristeza!

Tristeza não tem fim, felicidade sim - Elis Regina

Monday, May 07, 2007

Sozinho

Acredito que exista uma música para cada momento da vida, várias músicas para um mesmo momento ou uma música para varios momentos. No entando a música para o atual momento que vivo é esta.

Artista: Caetano Veloso
Composição: Peninha
Música: Sozinho

Às vezes, no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois
Eu fico ali sonhando acordado, juntando
o antes, o agora e o depois
por que você me deixa tão solto?
por que você não cola em mim?
Tô me sentindo muito sozinho!

Não sou nem quero ser o seu dono
É que um carinho às vezes cai bem
Eu tenho meus segredos e planos secretos
só abro pra você mais ninguém
por que você me esquece e some?
e se eu me interessar por alguém?
e se ele, de repente, me ganha?

Quando a gente gosta
é claro que a gente cuida
fala que me ama
só que é da boca pra fora
ou você me engana
ou não está maduro
onde está você agora?

Quando a gente gosta
é claro que a gente cuida
fala que me ama
só que é da boca pra fora
ou você me engana
ou não está madura
onde está você agora?

Sunday, May 06, 2007

De que adianta tentar ajudar uma pessoa explicando-a que ela não sabe ouvir, se ela não sabe ouvir?