Monday, May 15, 2006

Ainda hoje

Ainda hoje recebo uma correspondência de uma amiga que tive o prazer de conhecer a pouco tempo. Poucos foram os contatos, porém não poucas foram as palavras. Conversas intermináveis que começavam no simples encontro destas duas pessoas em uma praça em uma noite de domingo. E na carta, ela não cansasse de enaltecer-me por motivos, que para alguns são tão banais, tão corriqueiramente irrelevantes. O fato é: Não sei como agir.
Tento a cada novo, conseguir estampar um sorriso em um rosto alheio, só nunca esperei uma troca, uma reciprocidade adquirida de forma tão espontânea, tão inesperada que me deixasse sem palavras para responder as observações sobre o meu comportamento para com as pessoas.
Sempre digo: Sou um espelho do que comigo, para qualquer pessoa.
Simplesmente não sei como reagir quando ela diz que sou 'fofo' pois não achou um termo mais apropriado para meu tamanho, para minha graduação, para definir o que realmente sou. Não sei reagir quando alguém me diz que meu sorriso e minha paz são capazes de tranqüilizar e manter em estado de graça por horas.
Não entendo este tipo de relevância pessoal.
Não entendo como alguém pode dizer que até mesmo uma saída com os filhos ao shopping é sentida de forma tão diferente depois de algumas conversas.
Não entendo também, como alguém pode sentir-se tão feliz por conhecer uma pessoa há tão pouco tempo, e mesmo assim, não precisar de mim, feliz somente por me conhecer.
Não entendo e não sei se posso conceber o fato de alguém estar encantada com meu carinho, meu brilho, minha maturidade. Ler, que é muito difícil, quase impossível conviver comigo e não se apaixonar.
Não entendo o romantismo de ser presenteado com uma figura de bala cujos dizeres expressam: "Adoro seu sorriso". Gesto tão singelo, mesmo vindo de alguém uma pessoa mais velha, em que este romantismo deveria ter ficado na adolescência. Ser presenteado com um sabão decorativo e aromatizante de mel. Coisas tão simples, mas que fazem tanta diferença. Como é bom sentir-se importante para alguém!
Ouvir que sou maduro de uma mulher de 37 anos com tanta experiência e serenidade nas palavras, faz me pensar nos erros que nunca tive tempo para desfrutar, para aprender, para vivenciar, mas que guardo nas experiências de outras pessoas.
Faz me pensar em todos os caminhos que trilhei para chegar onde estou, novamente, após dois grandes tombos em minha vida. Tombos, não mais acontecerão, este que aqui escrever para ninguém, jamais cairá novamente. Torpes falanges!

Talvez existam coisas que não devem ser entendidas, somente lembradas.
Assim como existem coisas que não posso explicar, apenas as sinto.

Maravilhoso o dia em que descobri que viver, sorrir, amar são verbos que se conjugam no presente, impreteríveis ao momento. Assim sempre serão, se assim sempre permitimos.
Maravilhoso o dia em que descobri que viverei eternamente solitário, por que a razão jamais permitirá que o amor seja sempre correspondido da mesma forma.

Life, is very short.

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